Thiago Ponce de Moraes

DEI O QUE TINHA 1. te dou de comer na palma da minha mão. é ancestral o gesto de agachar, se reconhece: me curvo ao chão então, você vem, faminto. não distingue entre o que é comida e quem eu...
  • marzo 25, 2021
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tradução: Agustin Arosteguy CORCOVAS fiquei no trem que não passou no verbo que escapou pela pele o céu reduziu os espaços e arreganhei os dentes atrás da burca engoli a chave que carregava no pescoço nenhum pensamento depois do seu...
  • marzo 10, 2021
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AZUL Há algo triste no azul dos teus olhos, algo perdido e infinito neste azul dos teus olhos, algo de azul no triste dos teus olhos. Há algo de teus olhos neste triste azul, algo perdido no infinito do azul...
  • febrero 8, 2021
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SERRA SEM FIM (este texto é parte de uma sequência que ainda venho escrevendo, em prosa poética. a “serra sem fim” tem como base a cena do vapor pairando sobre o rio das antas, cedo da manhã, na serra gaúcha)...
  • diciembre 18, 2020
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FONTES DE RENDA Era uma vez uma cidadezinha medieval predestinada por poderosa tempestade que fez do seu rio um canal de navegação natural ao longo de séculos de prosperidade. Um dia, empobrecida pelo lodo que de novo o obstruiu, a...
  • octubre 22, 2020
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fotografia de Peter Provaznik MA BOHÈME Do olho-músculo amatório, daqui falas, daqui chamas — ao vagido da boceta, bocaberta ar-, arfante ante a tv vulgar, desces, ao sangue sem sacrifício, à jugular ardente da pantera num táxi desces, à jungle...
  • octubre 1, 2020
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LA HORA CERO 1. A casa amarela tem dois cães. Na casa amarela havia dois cães. Morreram, os dois, de alguma morte canina. Ou por mão humana. Um após o outro, no espaço de uma semana. Desde então, olhamo-nos todos...
  • septiembre 28, 2020
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foto de Cristina Barros Barreto NOITE DE QUARENTENA Negra montanha não cede à lua nem às estrelas. Noturno impassível sem céu nenhum e sim o rochedo subindo não sei até onde o seu cume. Quando chegaremos a altura segura que...
  • septiembre 22, 2020
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  foto de Prisca Agustoni SIGNO El signo es cimarrón, el texto una cimarronada, a veces en los relatos, otras afuera de la memoria. Preso, no dice nada, libre se esconde en la plaza. Tiembla el centro de la página,...
  • septiembre 1, 2020
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CORTEJO NOTURNO trouxe na lua crescente uma canastra de peixes (as guelras membranas baças de romãs despedaçadas) nos lampejos da minguante um puçá de caranguejos: tanino do mangue-bravo fez o azul das carapaças das fasquias de taquara fisgou argolas de...
  • agosto 26, 2020
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