Thiago Ponce de Moraes

DEI O QUE TINHA 1. te dou de comer na palma da minha mão. é ancestral o gesto de agachar, se reconhece: me curvo ao chão então, você vem, faminto. não distingue entre o que é comida e quem eu sou. penso domar a fera, as pontas dos meus dedos se vão. não distingo se é dor ou prazer me transformar em seu alimento. voltarei amanhã, você sabe. 2. sequer havia luz, mesmo assim, aprendi a te alimentar primeiro. antes de qualquer verbo ou nome: não havia chamado, ainda...
  • marzo 25, 2021
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tradução: Agustin Arosteguy CORCOVAS fiquei no trem que não passou no verbo que escapou pela pele o céu reduziu os espaços e arreganhei os dentes atrás da burca engoli a chave que carregava no pescoço nenhum pensamento depois do seu sopro montei o bicho no silêncio das corcovas a maldição do muro saltado onde foi que não mastigamos o sal? em que língua choravam seu nome empedrado?   JOROBAS quedé en el tren que no pasó en el verbo que escapó por la piel el cielo redujo los espacios...
  • marzo 10, 2021
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AZUL Há algo triste no azul dos teus olhos, algo perdido e infinito neste azul dos teus olhos, algo de azul no triste dos teus olhos. Há algo de teus olhos neste triste azul, algo perdido no infinito do azul dos teus olhos, algo infinito no azul perdido dos teus olhos. Há algo azul no infinito triste dos teus olhos perdidos. [Repátria, São Paulo, Selo Demônio Negro, 2015] AZUL Hay algo triste en tus ojos azules, algo perdido e infinito en este azul de tus ojos, algo azul en...
  • febrero 8, 2021
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SERRA SEM FIM (este texto é parte de uma sequência que ainda venho escrevendo, em prosa poética. a “serra sem fim” tem como base a cena do vapor pairando sobre o rio das antas, cedo da manhã, na serra gaúcha) a mulher nascida na serra sem fim se levanta os fios do seu cabelo amanhecem úmidos, de terem sido lavados muito tarde ontem. ela sente o assoalho – a planta dos pés da mulher da serra sem fim é sempre áspera. ela vive caminhando descalça no chão de pedra...
  • diciembre 18, 2020
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FONTES DE RENDA Era uma vez uma cidadezinha medieval predestinada por poderosa tempestade que fez do seu rio um canal de navegação natural ao longo de séculos de prosperidade. Um dia, empobrecida pelo lodo que de novo o obstruiu, a Bruges restava ainda a renda como fonte de renda. -x- Renda que vem de “reddere”, re-dar, dar de novo, devolver. -x- Renda e bordado: ao tempo tangivelmente tecido fraternais filiados. Quatro horas de trabalho rendem um mínimo centímetro de renda que assim aufere valor agregado como acontece ao bordado...
  • octubre 22, 2020
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fotografia de Peter Provaznik MA BOHÈME Do olho-músculo amatório, daqui falas, daqui chamas — ao vagido da boceta, bocaberta ar-, arfante ante a tv vulgar, desces, ao sangue sem sacrifício, à jugular ardente da pantera num táxi desces, à jungle brilhante das boates, às florestas de ácido e acrílico desces, .             desces ao dragão de veias entupidas no toalete, à girl de gengiva vermelha, à gente fedendo a dinheiro no saguão flutuante de negócios, à boca de fumo e riso, às coxas que no...
  • octubre 1, 2020
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LA HORA CERO 1. A casa amarela tem dois cães. Na casa amarela havia dois cães. Morreram, os dois, de alguma morte canina. Ou por mão humana. Um após o outro, no espaço de uma semana. Desde então, olhamo-nos todos com ar animal. A pergunta que não cala é quem será agora. O próximo. Se meu cão. Se o seu. Se o do vizinho. Ou se serei eu o próximo a cair. De alguma morte, canina ou humana.   La casa amarilla tiene dos perros. En la casa amarilla...
  • septiembre 28, 2020
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foto de Cristina Barros Barreto NOITE DE QUARENTENA Negra montanha não cede à lua nem às estrelas. Noturno impassível sem céu nenhum e sim o rochedo subindo não sei até onde o seu cume. Quando chegaremos a altura segura que acende a lua e o punhado de estrelas? ÁREA DE RISCO A seta da caneta mais rabisca do que escreve. Crava letra por letra em linhas pontudas e o que parecia ser um verso é reverso fere por amor e medo e tudo em fim acaba ou enfim… com...
  • septiembre 22, 2020
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  foto de Prisca Agustoni SIGNO El signo es cimarrón, el texto una cimarronada, a veces en los relatos, otras afuera de la memoria. Preso, no dice nada, libre se esconde en la plaza. Tiembla el centro de la página, se extravía al margen. El signo crea una fortaleza – quien la asalta se hunde. Su laceración no es la de la piedra, el signo cimarrón se mueve. PASEOS juan mauricio rugendas capturó escenas que acercan río de janeiro a lima. no por la textura de bosques y montañas....
  • septiembre 1, 2020
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CORTEJO NOTURNO trouxe na lua crescente uma canastra de peixes (as guelras membranas baças de romãs despedaçadas) nos lampejos da minguante um puçá de caranguejos: tanino do mangue-bravo fez o azul das carapaças das fasquias de taquara fisgou argolas de palha; as plumas de maguari transbordando das cabaças no cesto da lua nova frutos roxos de figueira, gavelas, paveias, feixes para o leito sobre a areia ROÇA BARROCA As almas são visíveis em forma de sombras. Da religião Guarani, via Schaden viu o primeiro sol depois do inverno desembrulhar,...
  • agosto 26, 2020
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