BAPTIZAR OS MORTOS | MARCO ANDRÉ GALRITO


Primeiro deverá ficar muito claro que

aquilo que os outros chamam de bruxaria
                              é mesmo o nosso caminho
                      uma peça pregada ao espírito
é simples e uma confusão
               como quando um cão
                           é que choca um ovo
tu nunca poderás entender antes
                                de entrares no culto
                                           antes
                                de chocar o olho
eu fui puxado pelos cabelos até á raiz dos espíritos
              agora eles brincam comigo
tu nunca me devias ter deixado
                                            sózinho
eu nunca devia ter ficado sózinho com este livro maldito
agora ele dança comigo

É furtiva

      não a vês
   literalmente invisivél
      tu não a podes ver
   o inimigo não a vê
 tu não a vês
é uma grande vantagem
quando eu falo com pessoas
                           do Outro Lado
                     é algo muito especial
Eu sou o macaco de HPB
                            o cão de JHS
deixei cair um anél em rodas
            dentro de rodas
fui dar com ele mais tarde
            dentro do buxo de um peixe
Aquele que nos contou
                   todas as estórias
ele trouxe marés anteriores ao dilúvio
e quantas vezes ao tentar-te explicar
precisámos de voltar atrás
muito atrás
mesmo
muitas vezes dez mil anos


As pessoas ainda acham muita graça

gozar com Jesus Cristo
Zombar da Trindade
Eu dediquei sete vidas
    ao livro do Apocalípse
e tu sabes qual é o sentido
íntimo destas coisas?
O teu irmão desceu á crença
o teu irmão desceu
Ele vai para
         baptizar os mortos
existe sim um dia eterno
não há fim, nunca haverá
O teu irmão ouviu
               o Chamado
o teu irmão ouviu
Chamado a reconhecer
o meu próprio corpo
dei por mim
     a fingir de morto
dei por mim
    o mais secreto
o quarto pastorinho
o cão fazia as estrelas
seguirem o meu caminho
filho,
estas coisas vêm em símbolo

um homem
prevenido
vale por dois

se morre
ainda tem
outra vida



Curador invitado: Silvit


Marco André Galrito.  Nascido em 1989, Sol e Lua em Escorpião, ao 8º mês foi trocado no berço. Criado em Santo António dos Cavaleiros, nos arredores de Lisboa, junto ao Templo de Shiva, aos 16 anos o seu espírito inquisitivo levou-o à leitura do clássico O Despertar dos Magos. Foi então que num sonho subitamente fulminado de lucidez um relâmpago plantou a semente intuitiva dos Superiores Incógnitos, raiava então a nova Era de Aquário.  Pesquisador de mistérios por Alma própria, em documentos antigos e caminhando nas imediações, tem coleccionado pedras invulgares, indícios de antigas civilizações avançadas. Lança em Setembro de 2016 o seu primeiro livro de poesia, O Livro Português dos Mortos. Publicações: poema “Dança da Chuva“, Revista Apócrifa III (2015). “O Livro Português dos Mortos”, Douda Correria #44 (2016)
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