Brasil

traduções para o espanhol: Sergio Ernesto Ríos   1 estamos sempre perfurando o tempo temos abismos que rasgam os antebraços e uma cicatrização forjada na língua dos dias criamos sempre os mesmos calabouços e nenhuma procissão nos salva nossa linguagem é picada pela desmemória e nossa vigília é abastecida pelo erro deus fala uma linguagem indecifrável mas estamos sempre a traduzir como poço, cavalo ou nós mesmos. estamos siempre perforando el tiempo tenemos abismos que rasgan los antebrazos y una cicatrización forjada en la lengua de los días creamos...
  • mayo 13, 2021
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SONHO QUE SOU JOÃO ANTÔNIO SONHANDO QUE É FERNANDO PESSOA Num subterrâneo Letes ou num Eufrates interno Tocando ramos de invisível água ou fazendo círculos com pedrinhas atiradas num Tejo etéreo Não importa… A quimera-esfinge me espera em todas as margens tendo à sua direita Sá Carneiro e Antero que riem do riso de Cérbero, quando por eles passo, sou acordado e como se sonhasse vou ao encontro de Adília Lopes que está dançando nua na fonte cercada por uma auréola de baratas brancas, Adília me aponta uma carreira...
  • mayo 5, 2021
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tradução: Sergio Ernesto Ríos   1.  há alguma instabilidade em todas as coisas até que se pronuncie o nome em voz alta e com o corpo inteiro escrito: isto em qualquer língua se pode conjurar a fruta agora isto está aberto podemos fixar por instantes a sombra, antes vaga, de todas as árvores a casa e até os espelhos podemos levar a cabo o sonho à superfície fina dos acontecimentos agora podemos tocar na pele das coisas sem queimar os dedos tudo é perscrutável exceto os barcos que já...
  • abril 28, 2021
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DEI O QUE TINHA 1. te dou de comer na palma da minha mão. é ancestral o gesto de agachar, se reconhece: me curvo ao chão então, você vem, faminto. não distingue entre o que é comida e quem eu sou. penso domar a fera, as pontas dos meus dedos se vão. não distingo se é dor ou prazer me transformar em seu alimento. voltarei amanhã, você sabe. 2. sequer havia luz, mesmo assim, aprendi a te alimentar primeiro. antes de qualquer verbo ou nome: não havia chamado, ainda...
  • marzo 25, 2021
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tradução: Agustin Arosteguy CORCOVAS fiquei no trem que não passou no verbo que escapou pela pele o céu reduziu os espaços e arreganhei os dentes atrás da burca engoli a chave que carregava no pescoço nenhum pensamento depois do seu sopro montei o bicho no silêncio das corcovas a maldição do muro saltado onde foi que não mastigamos o sal? em que língua choravam seu nome empedrado?   JOROBAS quedé en el tren que no pasó en el verbo que escapó por la piel el cielo redujo los espacios...
  • marzo 10, 2021
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AZUL Há algo triste no azul dos teus olhos, algo perdido e infinito neste azul dos teus olhos, algo de azul no triste dos teus olhos. Há algo de teus olhos neste triste azul, algo perdido no infinito do azul dos teus olhos, algo infinito no azul perdido dos teus olhos. Há algo azul no infinito triste dos teus olhos perdidos. [Repátria, São Paulo, Selo Demônio Negro, 2015] AZUL Hay algo triste en tus ojos azules, algo perdido e infinito en este azul de tus ojos, algo azul en...
  • febrero 8, 2021
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SERRA SEM FIM (este texto é parte de uma sequência que ainda venho escrevendo, em prosa poética. a “serra sem fim” tem como base a cena do vapor pairando sobre o rio das antas, cedo da manhã, na serra gaúcha) a mulher nascida na serra sem fim se levanta os fios do seu cabelo amanhecem úmidos, de terem sido lavados muito tarde ontem. ela sente o assoalho – a planta dos pés da mulher da serra sem fim é sempre áspera. ela vive caminhando descalça no chão de pedra...
  • diciembre 18, 2020
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LA CASA BAILARINA A Frank Gehry Él no puede escapar de su firma, y no sigue receta alguna para estas edificaciones desde Sillicon Valley hasta el Walt Disney Concert Hall desde el nuevo campus para Facebook en Menlo Park hasta el Museo Guggenheim de Bilbao desde Serpentine Gallery Pavilion de Londres hasta su casa bailarina de Praga solamente hacer a los demás lo que a usted le gustaría para sí como la regla de oro del Talmud: el respeto por la persona que está al lado tuyo como al...
  • noviembre 5, 2020
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FONTES DE RENDA Era uma vez uma cidadezinha medieval predestinada por poderosa tempestade que fez do seu rio um canal de navegação natural ao longo de séculos de prosperidade. Um dia, empobrecida pelo lodo que de novo o obstruiu, a Bruges restava ainda a renda como fonte de renda. -x- Renda que vem de “reddere”, re-dar, dar de novo, devolver. -x- Renda e bordado: ao tempo tangivelmente tecido fraternais filiados. Quatro horas de trabalho rendem um mínimo centímetro de renda que assim aufere valor agregado como acontece ao bordado...
  • octubre 22, 2020
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fotografia de Peter Provaznik MA BOHÈME Do olho-músculo amatório, daqui falas, daqui chamas — ao vagido da boceta, bocaberta ar-, arfante ante a tv vulgar, desces, ao sangue sem sacrifício, à jugular ardente da pantera num táxi desces, à jungle brilhante das boates, às florestas de ácido e acrílico desces, .             desces ao dragão de veias entupidas no toalete, à girl de gengiva vermelha, à gente fedendo a dinheiro no saguão flutuante de negócios, à boca de fumo e riso, às coxas que no...
  • octubre 1, 2020
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